Um início

 Já é Fevereiro.

Olá. Começo por cumprimentar quem lê estas linhas - se alguém incauto(a) com elas se cruzar - pois a boa educação consta que isso o determina. Já não é a primeira vez que me desafio a começar a escrever. Escrevi diários de viagem, escrevi pensamentos soltos, e nada disso resultou em acto contínuo. Algo que pudesse sentir que fizesse sentido dar continuidade. Desta vez, veremos se continuo ou não.

Para começo de conversa, apetece-me escrever sobre o que agora terminou. A jornada de 78 dias que foi este mês de Janeiro de 2025. Após uma passagem de ano bastante tradicional e caseira, com os renovados votos de felicidades e de excelência no futuro que teríamos a abraçar daí por diante,  eis que nos preparámos - digo eu, o mundo inteiro - para o que se avizinhava.

Confesso que não comecei o ano nos termos mais optimistas mas, lá está, havia que pensar positivo. Comecei por desintoxicar um pouco de redes sociais, abandonando uma deles, e passando a um regime bastante menos participativo em outras. Em contrasenso, porém, aderi a uma outra, onde tenho feito algumas publicações diárias mais baseadas em música, daquela que aprecio, que vou descobrindo, ou que vou recordando. Poderá ser esse um dos motes para aqui vir deixar umas letras a formar frases.

É cada vez mais complicado ir seguindo o que se passa no mundo, pois está tudo de tal maneira politizado, extremado, e maneatado, que se torna uma tarefa cansativa descascar as camadas daquilo que se nos apresentam. Pensar permanentemente, se quem nos apresenta uma notícia tem uma agenda escondida, se tem uma outra intenção sobre porque nos apresenta uma coisa e não outra, ou porque não conta a história toda. E é mesmo muito cansativo. É cansativo porque é também imperativo mantermo-nos ligados ao mundo que nos rodeia, compreender o que se passa, entender porque algo ocorre desta ou daquela forma. E isto apesar, de nem sempre as coisas serem claras. 

Recordo quando um dos meus avôs via as notícias diariamente na TV, ou ouvia na rádio quando não tinha uma TV disponível. Ele queria saber o que se tinha passado durante o dia. Que decisões se tomaram, o que o iria afectar, enfim, tomar o pulso ao mundo que o rodeava. Hoje em dia, nós somos constantemente bombardeados com notícias, (ou direi "novidades"?) ou notificações, que mais não são do que iscos. Sim, iscos para nós mordermos. Não é por acaso que lhe chamam "click-bait". Um termo usado por cá sem a acentuação correcta e que mais se asemelha a um "click vai-te" não se sabe bem para onde. E então, o que fazer?

Eu estou a tentar - quando tiver sucesso, eu aviso por aqui ou naquela rede social onde passei a andar diariamente - dosear tanto a quantidade, como a forma como lido com isto. A desligar notificações do meu telemóvel, tentando usá-lo cada vez mais para atender e fazer chamadas telefónicas. E como instrumento de trabalho. Não, não vou escrever aqui sobre trabalho. Poderei escrever sobre trabalho que já fiz, mas não sobre o que faço e em que termos.

Não sei se quem está a ler já reparou na outra tarefa a que me propus para esta desintoxicação de informação, ou tentativa de redução de exposição a notificações. É isso, encher este blog de letras, de palavras, de frases, e de pensamentos. Não sei também se isto será lido por mais alguém além de eu próprio. Se for só eu, tenho uma solução. Armar-me em Fernando Pessoa de leitura, e fingir que sou uma pessoa diferente que está a ler. Há quem diga que somos pessoas diferentes ao longo do dia.

Be light, Stay bright.
Rod


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