Pura ficção – A vida de Adriano – Parte X
Duas horas depois de terem saído de Barbacena, Adriano continua a conduzir na maior velocidade que consegue controlar o carro. António não parou de chorar e de balbuciar palavras de culpa, que não deveria ter ido para fora quando o avô estava em exames no hospital. Que não lhe disseram que não seriam apenas exames. E agora, já não voltaria a falar com ele. E continuava a chorar. Adriano tentava acalmá-lo, enquanto procurava manter-se na estrada através do nevoeiro cerrado. Conduzia combatendo a falta de sono e de descanso, e numa velocidade não muito recomendável, mas sentia ser urgente deixar António em casa. Com o som da rádio a quebrar os períodos de silêncio onde apenas o choro de António se ouvia, por entre o ruído do motor do carro, a viagem parecia interminável. Para António que queria tanto chegar a casa, e para Adriano que se abstinha de se queixar de sono, de cansaço, ou do caminho feito através do nevoeiro. Provavelmente por ser uma manhã de sábado de verão, e quase nem...