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A mostrar mensagens de maio, 2026

Pura ficção – A vida de Adriano – Parte IV

Adriano assistiu com deslumbramento e atenção ao evento, e em especial a Teresa a declamar o texto do livro que estava a ser apresentado. Sentiu-se vaidoso por estar num meio cultural evoluído, por fazer parte, por breves momentos que fossem, de um meio assim. Ouvia as pessoas a conversar sobre temas de música, de livros, debatendo citações, e além de vaidade, também o fazia sentir na sua dimensão. Pequenino. Pequeno de conhecimento, e de saber. A maioria daquelas pessoas tinham estudado, lido e relido, sobre coisas que ele não teve oportunidade, e nem sequer pensou em procurar. Naquela hora, Adriano pensou estar a espreitar à janela de todo um mundo novo, e diferente. Sozinho, segurando um copo de sumo de laranja, olhando a sala em redor, vê-se interrompido por Teresa que o assalta: - Então? Gostaste?  - Oh! Adorei... ainda estou a processar tudo... - Ainda bem... vem cá – disse enquanto o puxava para uma zona do salão do evento onde estavam menos pessoas – que vais fazer agora? -...

Pura Ficção - A vida de Adriano - Parte III

Adriano regressava do almoço com alguns dos vendedores com que trabalhava. Haviam discutidos alguns assuntos de trabalho, e ele estava preocupado com algumas coisas e tomava notas sentado à secretária. Eram assuntos para seguir nos dias seguintes.  O telefone toca, interrompendo-lhe o raciocínio, e atende, como sempre, após o segundo toque. Era timbre de a empresa nunca deixar o telefone tocar mais que duas vezes, e ao atender proferir prontamente o nome da empresa, o seu próprio nome seguido de um bom dia ou boa tarde. Adriano já o fez tantas vezes que só quando a voz do outro lado do telefone, soltando uma gargalhada lhe atira: - Parece que estás a cantar! - Olá, Teresa! Como está? - Ó Adriano, eu já cantei para ti, e não é por ser ao telefone que nos vamos deixar de tratar tu, vá lá, tu és capaz... - É verdade Teresa. Como estás? Está tudo bem? - Sim, meu querido, está. Mas eu estou a ligar por duas coisas. - Então? - Uma é que as instruções do micro-ondas não vieram. A outra......

Pura ficção – A vida de Adriano – Parte II

Foi mais um fim de semana de azáfama no monte. Adriano teve a visita da sua irmã, cunhado e dois sobrinhos, e trouxeram mais um casal amigo. Ficaram na casa dos tios, e de seu pai, que fica um pouco mais abaixo no monte, mas Adriano sempre se dispôs a acompanhar e acaba por, ora ficar a tomar conta dos sobrinhos, ora a preparar um churrasco para uma patuscada de despedida. Assim foi desta vez. O jantar de domingo começou ainda não eram 19h, mas entre aperitivos, petiscos e o jantar propriamente dito, fizeram-se as 21h e a comitiva partiu de regresso aos arredores da capital. Adriano, depois de arrumar as coisas, fechou a casa dos tios/pai, e dirigiu-se à sua, onde se sentou no alpendre, no cadeirão onde habitualmente fica quando ainda não quer se recolher, e opta por desfrutar do céu estrelado, sem mácula de iluminação artificial. Ali perde-se tantas vezes, em pensamentos... Recorda quando trabalhava no atendimento de clientes de uma multinacional. Vendia eletrodomésticos. Na sequência...

Pura ficção - A vida de Adriano - Parte I

Adriano tem 50 anos, e há 6 que ali vive. Cuida do terreno que herdou de um tio, que já o havia herdado dos seus pais, avós do Adriano. Nesse terreno conseguiu montar uma estufa de fruta, cuja colheita se transformou no seu sustento. Conseguiu ainda montar um espaço para fazer uma criação de galinhas poedeiras, que lhe dão um extra de rendimento, vendendo ovos aos vizinhos do monte, e à mercearia da aldeia ali perto. Entre o pé de meia que amealhou enquanto trabalhou em multinacionais, que tem a render em algumas aplicações no banco, e esta atividade, Adriano encontrou o seu equilíbrio. Após anos de trabalho, de stress, de problemas profissionais, e problemas pessoais, ele definiu um objetivo na vida. Encontrar sossego e equilíbrio. Mesmo que, a custo de alguns luxos a que se habituou ao longo da vida, e que tomou como "conquistas". Com o confinamento da COVID, a pressão laboral extremou-se, e a responsabilidade começou a parecer-lhe bizarra. Ele sempre aceitou o contrato de ...