Asteróide

"Um asteroide recém-descoberto, que terá entre 40 e 100 metros de largura, tem uma pequena hipótese de atingir a Terra em 2032, calculada em cerca de 1,2%, de acordo com a agência espacial europeia (ESA)." in Lusa, 30-01-2025 00:36

Não era para vir já aqui escrever, mas depois de ver em diversos sites, hoje dia 1-Fev, uma notícia que a Lusa publicou há dois dias, achei que devia depositar aqui o que me passou pela cabeça. 

Então, querem lá ver que há 1,2% de risco do nosso planeta ser reconfigurado connosco nele daqui a 7 anos? Já viram bem? Na volta, é essa o motivo pelo qual os oligarcas aqui do terceiro calhau a contar do sol, andam a juntar a riqueza toda e a fazer passeios no espaço, a torrar dinheiro em foguetões para sair daqui, é porque vem aí um asteróide?

Na rede social onde partilho agora coisas, e este "blog" também, tive uma pequena conversa de comentários - como hoje em dia se conversa - que me levou ao século passado. Anos 80 e 90, onde a minha vida se centrava em Lisboa. A cidade onde cresci, e vivi até aos 14 anos, e depois regressei dos 22 aos 24, e onde ainda tenho família (é só um, mas já conta), era insegura, degradada, e tinha imensos defeitos, mas era a que eu conhecia, e onde cresci. Em torno da Rua Morais Soares, a partir do topo, desci à Praça do Chile, a Arroios, à Alameda, ou pela Almirante Reis abaixo até ao Martim Moniz e à baixa. Recordo ver da janela da marquise da casa da minha avó uma enorme coluna de fumo num certo dia de Agosto, e com o meu tio irmos apanhar o 35 à Paiva Couceiro até Sapadores, e dali irmos a pé até à Graça, para ali alcançar o Castelo de S. Jorge de onde ainda avistei as chamas no Chiado. No dia anterior, tinha subido a Rua do Carmo com a minha mãe, e lembro-me dela reclamar que por causa de uns blocos de pedra que meteram ao longo da rua mal se conseguia passar... e naquele dia, os bombeiros tiveram imensa dificuldade em alcançar o incêndio por ali.

Assistir à política internacional, ou melhor, a política dos Estados Unidos da América - oh! NSA deslarguem-me, ok? eu sou inofensivo - onde agora vigora o Estado Trump. Aquilo não deixa de ser uma cena transaccional, em que ele ameaça, joga, e tenta influênciar como se estivesse a fazer os seus negócios. Eu nem vou perder muitas linhas aqui a descascar o que ali se passa, mas uma coisa tenho que sublinhar. Um partido que advoga a liberdade, que aquilo é a terra da liberdade, da liberdade de expressão - a parte da liberdade em ter armas e matarem-se uns aos outros é que faz uma confusão à cabeça - da liberdade para fazer negócios, estão há duas semanas a lançar proibições, e a cortar direitos. É giro, não é?

Em prol de negócios, e em prol de interesses "económicos", que é como quem diz "defesa dos interesses de poucos face aos interesses de muitos", anda muita gente a advogar que quem não tem devia trabalhar mais, e quem mais tem é porque fez por isso. Essa mesma gente não se dá conta que apenas contribui para alimentar a concentração de riqueza. O que me leva a outra questão que não vi ainda ninguém colocar sobre a política naquele país. Sim, eu ando a ler muita sobre o que lá se passa. 

Para colocar essa questão, tenho de recorrer um pouco à história. Sabem o que os EUA fizeram em 1911 a uma empresa de um senhor chamado Rockefeller? Desmantelaram a empresa e dividiram-na em algumas outras, que ainda assim ficaram bem grandes. Em 1998 abriram um processo contra a Microsoft por monopólio. Aquilo não acabou em grande coisa, mas a empresa teve que abdicar de algumas coisas.

Hoje em dia, perante o monopólio de redes sociais - vejam quantos utilizadores é que as plataformas da Meta, e do Sr. Almíscar, têm - em vez de desmantelar por serem quase monopolistas, atacam quem desafia esse império - aquilo do TikTok não é mais do que defender o monopólio daqueles senhores - o poder optou por os chamar até si. Segundo vi num dos talk-shows que costumo acompanhar em streaming, aqueles senhores - os da Google, Meta, e não me recordo agora dos outros - tinham sido chamados a comissões do Congresso e tendo sido espremidos, e colocados em causa, não gostaram - coitadinhos, não é? - deixaram de apoiar um partido e foram apoiar o outro. Eles nem sequer têm ferramentas de influencias eleições, pois não? E de repente até os do TikTok foram prestar vassalagem. E tudo isto, aconteceu nas últimas semanas. Não é espetacular? E ainda há quem apoie, e reconheça que, o mercado é assim, e que "nós é que temos que nos adaptar". Não tenho assim tanta certeza. A pergunta é: agora já não aplicam as leis "anti-trust"?

Andam aviões a cair que nem tremoços numa cervejaria, e o "laranja" acusa as políticas DEI. E ainda advoga que é o bom senso que diz isso! Não é o facto dele interrompido uma série de actividades de segurança, nem por ter despedido o diretor da FAA porque dias antes dele tomar posse deu ordem para parar os lançamentos do amigo Almíscar. Isso de certeza que não tem nada a ver.

Por cá, temos uns políticos que berram contra a imigração desregulada, mas não apontam quanta dessa é que há. Reclamam que querem impedir os imigrantes de virem para cá, excepto os que trazem dinheiro. Reclamam que os imigrantes trazem insegurança, mas o crime grave mais praticado em Portugal é o da violência doméstica. Por portugueses. 

Assim, fiquei a pensar no asteróide. É desta?


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