O que se segue na nossa história?

Face a tudo o que se tem estado a passar por todo o mundo, nós por cá - neste cantinho à beira-mar plantado - continuamos entretidos em fait-divers, com pseudo moções de censura no parlamento, discussões sobre presidenciais, sem nos darmos conta de que temos um tsunami na nossa direção.

Os que tínhamos por aliados, deixaram de o ser, e estão ao serviço de causas que julgávamos impossíveis de se reerguerem há 20 anos. Tudo aquilo que defendemos está a ser posto em causa, e estamos expectantes sobre o que fazer. À espera de quem se chegue à frente e assuma alguma coisa. Vemos o presidente francês a promover reuniões onde só alguns países são convidados a participar, sobre a segurança de toda a Europa. Qual o papel dos países pequenos? O nosso PM parece estar a pensar em oportunidades de negócio na área da defesa...

O que é que defendemos para a nossa sociedade? Queremos mesmo justiça social e equidade, ou queremos um "vale-tudo" em que vence o mais esperto e o mais robusto em tecnologia, dinheiro e armas? Que mundo queremos deixar aos nossos filhos, ou aos filhos dos outros? Que valores defendemos afinal? É a economia de mercado? com ou sem regras? ou com quais regras? Há estado de direito? Há direito internacional? E já tudo se esqueceu do ambiente? Alguém tem a noção se de repente os nossos -até agora aliados - estimados amigos das américas se lembrarem de invadir a Groenelandia, ou capturar uma parte dos Açores, porque é do seu interesse, com o que é nos confrontamos, e o que faremos?

Será que sequer pensamos nisso? Ou seguimos candidamente agarrados às redes sociais a insultar tudo e todos que discordem do que escrevemos, pensando quando irá jogar o nosso clube, para pensar em como atingir os rivais?

Não me parece que vá ficar tudo bem.


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