Idade dos Porquês
Será que a ideia é que tenhamos a sensação de que nada há a fazer? Quando se colocam coisas como "factos consumados” para ver se o pessoal se habitua, e deixa passar procurando fazer a sua vida, tentando chegar ao fim do mês.
Como reagimos quando nos contradizem? Quando nos contradizem sobre algo que estamos seguros do que dissemos? E quando não estamos seguros? Vamos verificar? Procuramos saber mais? Ou passamos logo a insultar e a tomar juízos de valor sobre a pessoa que opinou?
Será que algum empresário vai patrocinar publicidade num canal de TV generalista sobre “Violência Doméstica”? Ou nesse caso, não é liberdade de expressão? Será que alguém vai respeitar a lei de que publicidade no nosso país não serve para emitir opiniões políticas?
Porque será que quando se sucedem episódios de violência claramente relacionados com grupos de extrema-direita, onde a brutalidade impera, surgem nas TV’s personagens de direita a dizer que também há violência na extrema-esquerda, mas sem conseguir identificar outra extrema atualmente a atuar?
Porque será que o país não conheceu antes das últimas eleições, o relatório de segurança interna sobre esta matéria?
Porque será que se confunde escrutínio de personalidades públicas, com ataques pessoais? Porque será que uma opinião emitida não raras vezes termina em insultos a quem emitiu a opinião, sem que sequer se tenha discutido a dita opinião?
Será que se a gestação fosse geneticamente feita por homens, teríamos tanta discussão sobre a IVG?
Será que teremos algum dia em que não se deixa um(a) filho(a) sair com o(a) amigo(a) por que a mãe foi mãe demasiado jovem?
Quem diz que se preocupa com o “problema da habitação” alguma vez pensou verificar em quantas habitações pertencem a não-indivíduos, ou seja, a fundos imobiliários cuja atividade se foca em lucrar com a habitação, logo, que se importam e muito, que os valores dos seus bens sejam sempre inflacionados?
Porque se vai para as ruas celebrar vitórias do clube de futebol, ou da seleção nacional de futebol, e não para lutar por direitos comuns a todos? Porque será que parece que estamos todos contaminados com o vírus do “se não me toca a mim, não me importo”?
Se equipararmos as redes sociais aos antigos cafés, ou tabernas de bairro, ou de aldeia, ninguém quer perguntar aos nossos pais e avós sobre o que faziam quando a conversa não lhes agradava, ou não concordavam com o que estava a ser dito? Começam a discutir também? Exaltavam-se? Desatavam ao estalo e ao insulto? Perseguiam as pessoas? Ou saiam e iam só ao café ao lado como vingança daquele ser frequentado?
O regresso à “idade dos porquês” parece ser necessário, já que estamos tão acelerados a retroceder em tanto da nossa civilização.
Cuidem-se!
Rod
12.06.2025
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