Stranger Things

E ao terceiro dia do ano, temos o laureado com o prémio da paz da FIFA a invadir um país terceiro, capturando o seu presidente, aparentemente eleito. Quando um país acumulou poder de tal forma que se arvora em polícia do mundo, em resultado da divisão mundial do “pós 2ª Guerra Mundial” e da capitulação de um dos blocos, torna-se inevitável que atue sem considerar a ordem mundial que patrocinou criar nesse mesmo período. 

Eu cresci num mundo em transformação. Vi na TV o Muro de Berlim a cair, vi debates na TV em defesa do Bloco de Leste, e do Mundo Ocidental, enquanto os filmes de Hollywood exacerbavam esta dicotomia com uma legenda de luta entre o bem e o mal. Tendo começado a trabalhar já numa altura em que estávamos na CEE, agora EU, fui cimentando uma filosofia de vida baseado naquilo a muitos chamam de social-democracia de esquerda. Fiquei com a ideia de que, qualquer filosofia que fosse, quando aplicada ao extremo dava asneira. Poder excessivo, liberalismo excessivo, comunismo excessivo, tudo isso levava a perda de liberdade, perda de direitos, e no fundo a um mundo que eu nunca defendi.

Ao longo do tempo, fruto de experiência profissional, de leitura, de documentário ou reportagens vistas nas TV’s/Streaming, etc.… fui cimentando a minha ideia de que, nem toda a verdade se mostra, seja porque os efeitos disso poderem levar ao descontrolo, ou porque não interessa a quem manda ou tem poder.

Por isso, desenvolvi um certo ceticismo perante aquilo que os órgãos de comunicação social vão apresentando, procurando sempre um fundamento ou uma base para as informações transmitidas. É caso raro, reconheço, mas tentar sempre ir além do clickbait requer esforço e uma certa persistência. 

Claro que, por vezes, perante determinadas coisas perco-me a pensar em ficção científica, e em teses conspirativas, visto que os factos parecem ser de tal forma absurdos que apenas nesses contextos parecem fazer sentido.

Então temos que, um país – porque tem poder para isso – resolve invadir outro, sob um pretexto que tem sido desmentido constantemente nos últimos meses – esta de dizer que o Maduro lidera o narcotráfico para os EUA daria vontade de rir se não fosse tão grave – mas nada disso impede de o tal laureado com o prémio da paz da FIFA. Aliás, agora deixou-se de falar do que mais o preocupa. Um certo caso escandaloso de um senhor que foi suicidado na prisão e de quem foi grande amigo. E na comunicação social, isto passa tudo pela normalidade. Em 2001/2002, aquele mesmo país, pelo menos foi à ONU apresentar o seu caso – falso, curiosamente – antes de avançar para o Iraque.

Ou seja, nós estamos no “upside down world” e ninguém nos disse, não é?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tangentes e secantes

Pura ficção – A vida de Adriano – Parte II

Pura ficção – A vida de Adriano – Parte VII