Motivos para citar Churchill, Santyana, e Twain

Sobre a proibição de bandeiras ideológicas, partidárias ou associativas em edifícios públicos. Na senda wokista de extrema direita o nosso parlamento fez isto. Ou seja, já nenhum clube de futebol pode ir celebrar em edifícios públicos, não é? Tudo porque pode algum LGBT ir lá contaminar alguma coisa com um mínimo de bom senso. Quando era miúdo, e via um bully atacar alguém sozinho, fraco, frágil era sinónimo de falha grave de carácter, e não raras vezes acabava “recompensado” por outros maiores que ele, e que o punham no lugar. Não, não é apologia da violência. Não é à pancada que se resolve tudo. O que digo é que perante estes ataques a minorias deveremos refletir sobre o que move esta gente, e porque diabo, tanto lhes importa cercear os direitos das minorias. Razão não existe.

Numa das batalhas do tez laranja para substituir o chefe do banco central, o FeD ficamos a saber que o cavalheiro que o tez laranja tem um rendimento milionário como consultor de hedge funds… ainda alguém berra contra a corrupção, ou só se aceita?


Sobre a plataforma que o nosso estimado governo resolveu criar para avaliar jornalistas, segundo critérios de notoriedade, importa recordar o que é a profissão de jornalista. Importa também recordar qual o papel do Governo. O jornalista é uma peça do quarto poder, que tem vindo a ser monetizado, e por isso, degradado. Quem lidera os grandes grupos de média, só procuram reacções, porque a publicidade é paga em “cliques e likes”, e por via disso, controlar o poder, ou os mais poderosos, deixou de interessar. As grandes parangonas fazem-se de escândalos virais, e de temas superficiais. Só se investiga o que interessa ao patrão, só se aprofunda o que ao patrão interessa. Claro, porque iriam investigar quem lhes paga, né?

Por outro lado, o almíscar logrou levar a cabo mais uma IPO acumulando um valor absurdo desta vez para a SpaceX, 21 grandes bancos mundiais vão andar a convencer gestores de fundos ou outros investidores a meter lá o seu dinheiro. Ou seja, toda a banca mundial vai sacar dinheiro para estourar em devaneios do almíscar … um tipo que só pelo que fez à USAID merecia o cárcere por muito tempo. Os bancos movidos por comissões chorudas estão entusiasmados… já na parte das “due diligence” que são as auditorias externas que precedem aquisições, optam por ser mais “leves”. A sede de biliões e biliões é tal, que provoca cegueira. Claro que, se correr mal, já sabemos todos que é porque “vivemos acima das nossas possibilidades”.


Já sobre a guerra… https://www.thebanker.com/content/3b72a30c-8aca-4074-82fb-36bf405faece e recordamos que há sempre quem tenha muito a ganhar com a morte, e com a guerra.


Sobre outras coisas que têm passado ao largo da atenção mediática, e debates que não pude ver e depois decidi não ver, já que ninguém tem a coragem de passar “Grândola Vila Morena” de cada vez que um certo cavalheiro abre a boca (fica a dica).

Então de tanta sanção e bloqueio baseado no dólar, os EUA perderam influência por excesso de uso… pq os sancionados aprenderam a criar alternativas… crypto!? Outras moedas 🇨🇳 … isto ao mesmo tempo que o volume de aquisição de obrigações do tesouro norte-americano parece começar a baixar. Não estão a vender, mas estão a deixar de comprar de novo, quando se vencem. Uma história a seguir nos próximos tempos.


Das cenas com uma certa piada, mas sem nenhuma graça temos os mercados de apostas. Sim!! Agora já não é só em Macau! É por todo o lado! E em que se aposta? Em tudo. 

Polymarket, Mr Beast, só para referir duas plataformas online, são sintoma de uma sociedade em geral doente. Doentes de psicopatia os investidores e donos destas máquinas de vício, e doentes os que nela caem. Tudo em prol do vil metal, que já nem é metal. É crypto, é “dados minados”, é moeda virtual.


Curiosamente, um impacto que pouco vejo referir da guerra é no turismo do qual tanto da nossa economia depende. 40% de jet fuel consumido da Europa vem do Médio Oriente… sem combustível o avião não vai a lado nenhum. Quanto do turismo que temos depende do transporte aéreo? 80-90% !!! Se metade não vier significa uma queda de 40% na atividade de turismo que representa 12% do nosso PIB; ou seja podemos estar prestes a assistir a uma queda de 5% do nosso PIB? Desemprego a saltar para os 9%... o no parlamento legisla-se sobre bandeiras, e aprova-se legislação sem qualquer fundamento científico.


Déficit automaticamente a subir, e crise anunciada para apertar juntos dos mesmos. Enquanto os governos europeus (salvo honrosas excepções) continuam a seguir a tese de que temos de nos armar, e com isso torrar mais 5% do PIB, veremos todos os pilares do Estado Social, essenciais à construção e paz europeias, degradarem-se cada vez mais. E com isto, dizem-nos nas TV, abre-se espaço aos populismos e aos extremismos. Notem que sempre se fala no plural. Como se o populismo só estivesse agora num lado, e o extremismo também. Notem também que, e à semelhança do que aconteceu há 100 anos, andamos todos levados em imensas discussões inócuas e superficiais, ou induzidos a discutir o acessório em vez do essencial.


A liberdade que tanto custou a tantos conquistar, vista agora 52 anos depois no nosso país, parece estar sob ameaça por parte de uns que insistem em trazer fantasmas que não existem, enquanto fazem vista grossa a coisas bastantes sérias que existem, e que deveriam ser combatidas. Aos que me andam a mandar mensagens com insultos, não perco tempo, aos que me chamam de “falso moralista vendido à extrema esquerda” ou “falsa superioridade moral ausente da realidade”, apenas lhes pergunto:
- Se tanto advogam a liberdade de expressão para dar opiniões, ninguém as pode criticar?
- Se tanto advogam a liberdade de expressão para propagar notícias falsas, ou informações falsas, que sabem ser falsas, não se lhes pode ser assacadas responsabilidades?
- Se tanto advogam o direito de opinião, porque é que quando se fala em assumir responsabilidades, logo se refugiam no “não era bem assim”, ou “foi descontextualizado”, ou “estava a brincar”?
Deve ser o meu barómetro moral. Deve estar contaminado por valores de progresso, baseado em ciência, conhecimento, informação fundamentada, e validada constantemente.

Sinto que estamos muito longe de Grândola Vila Morena... e há demasiada gente contente por isso.

"Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo" George Santyana, 1905

"Aqueles  que falham em aprender com a história estão destinados a repeti-la", Winston Churchill, 1948

"A história não se repete, mas muitas vezes rima", Mark Twain 

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